Dando nomes aos bois - 2012

22/02/2012 09:36

 

Dando nomes aos bois... e a todos os animais e plantas

Até hoje o sistema criado por Linné para classificar e batizar as espécies é usado

Por: Rosa Maria Mattos, Instituto Ciência Hoje/RJ

Publicado em 03/04/2007 | Atualizado em 11/08/2010

Provavelmente você já ouviu falar do reino animal e vegetal, conhece algumas espécies de animais ou sabe que existe a classe dos vertebrados e a dos invertebrados. Pois bem! O ramo das ciências que se ocupa da classificação natural dos seres vivos – ou seja, que procura incluí-los em categorias como animal ou vegetal, vertebrado ou invertebrado e também em determinada família, entre outras possibilidades – é a taxonomia. Linné é considerado um dos pais dessa área de estudo, tanto para animais quanto para vegetais.
 

O trabalho Systema Naturae, em que Linné apresentou um sistema de organização dos seres vivos. Repare que o nome do pesquisador aparece como Caroli Linnaei, porque está em latim.

 

Como já dissemos, Linné buscou construir uma classificação dos seres. Desde Aristóteles, pensador grego que viveu no século dois antes de Cristo, usava-se a palavra ‘gênero’ para definir um grupo de organismos parecidos. O problema, porém, é que era comum cientistas usarem critérios diferentes para reunir os seres que julgavam similares. Por exemplo: alguns deles colocavam todos os animais domésticos como se pertencessem a um mesmo gênero, misturando assim espécies muito diferentes.

Em seu trabalho chamado Systema Naturae, publicado em 1737, Linné inovou ao agrupar os gêneros em grupos maiores, as ordens, que por sua vez agrupavam-se em grupos ainda maiores, as classes, e por fim, em outros grupos maiores ainda, os reinos. Essa organização pretendia evitar que espécies sem qualquer semelhança fossem colocadas dentro de um mesmo gênero. Desse modo, o reino animal contém, por exemplo, a classe dos vertebrados (que reúne todos os animais com coluna vertebral), que contém, por sua vez, a ordem dos primatas (que reúne mamíferos como os macacos, o ser humano e os lêmures), que contém o gênero Homo (ao qual nós, seres humanos, pertencemos), que contém a espécie Sapiens (que é a nossa espécie). Desde sua criação por Linné, essa estrutura foi pouco modificada e outras subdivisões foram adicionadas a esse sistema de classificação.

Porém, Linné não parou por aí. Outra das inovações desse botânico foi o sistema binominal de nomeação das espécies. Antes dessa iniciativa, os cientistas costumavam nomear as espécies que descobriam como bem quisessem. Alguns biólogos davam nomes muito compridos e de difícil uso para as espécies que descreviam, e podiam até alterá-los depois, o que criava muita confusão na hora de estudá-los. Para simplificar essa nomeação, Linné criou um sistema em que se atribui um nome em latim para indicar o gênero, e um outro nome, curto, para designar a espécie. Essa padronização dos nomes rapidamente se espalhou pela Europa, e foi muito importante já que várias espécies estavam sendo encontradas nos continentes recém-descobertos: Américas e Oceania. Os nomes de plantas e animais mais antigos e que são usados até hoje foram dados exatamente por Linné.

Uma estátua de Carl Linné encontrada na cidade sueca de Lund.


Esse cientista publicou diversos livros sobre teoria da botânica e plantas. Durante sua vida, fez inúmeras viagens pela Europa, onde conheceu diversos pesquisadores de diferentes países com quem trocou idéias e sementes, claro! Linné montou museus e jardins botânicos, e também foi professor da universidade de Uppsala, na Suíça. Aliás, foi um grande professor. Jovens de toda a Europa chegavam até ele querendo ser um de seus discípulos. E Linné sempre foi um mestre muito dedicado e apaixonado pelo que ensinava. Chegou até a hospedar e dar comida a alguns de seus alunos que não possuíam dinheiro para se sustentar.

Museus com seu nome, jardins botânicos em sua homenagem, estátuas espalhadas pela Suécia foram algumas das homenagens prestadas a esse grande cientista e que perduram até hoje. Isso sem falar em uma região da Lua que recebe seu nome, e o fato de um dos nomes de menina mais comuns na Suécia ser exatamente ‘Linnea’. Como dá para perceber, não é à toa que estamos comemorando os 300 anos do nascimento desse cientista, que faleceu em 1778. Palmas para Linné, gente!

 

Rosa Maria Mattos
Instituto Ciência Hoje/RJ

 

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